Wednesday, October 10, 2007

Kate Mccann – De mártir a má da fita


No dia 3 de Maio de 2007 a pequena Madeleine Mccann desaparece do quarto onde se hospedava a sua família no complexo turístico de Ocean Club, na praia da Luz.
Os pais de Madeleine divulgam a hipótese de rapto e Portugal mobiliza-se em volta da dor dos pais, principalmente na mãe Kate Mccann.
Tudo o que é carpideira profissional de Portugal chora nos telejornais a dizer que partilha a dor de Kate e de como é horrível a perca de um filho. Multidões esperam à porta da Igreja onde os Mccann rezam para darem o seu apoio. São acendidas velas e usam-se pulseiras amarelas. Tudo para mostrar a Kate que Portugal sofre com ela. Kate é recebida pelo Papa. As beatas portuguesas estão em êxtase de sofrimento pela pobre mãe.
Começa o mês de Julho e é Verão. O português já está sem muita paciência para notícias e prefere um banhinho de mar e uma bejeca fresquinha à leitura de um jornal. E assim se passa o Verão sem muito alarido. Portugal deixa de falar de Kate e Maddie para discutir o despedimento do Fernando Santos e a vinda de Camacho para o Benfica.
No dia 6 de Setembro são encontrados indícios de sangue no carro alugado pelos Mccann e que levam a polícia portuguesa a suspeitar que Kate McCann está envolvida no desaparecimento da própria filha.
No dia 7 de Setembro Kate Mccann é chamada para ser interrogada na sede da Polícia Judiciária de Portimão. O povo espera por ela à porta da Judiciária. Quando Kate sai do carro que a transporta o povo grita e chama-lhe nomes. O mesmo povo que meses antes chorou e fez de Kate uma mártir. De um momento para o outro Kate é uma assassina a sangue frio, que droga os filhos, e até pedófila.
O mesmo povo que chorava e desejava um final feliz para Kate e Maddie, espera agora ansiosamente pelo linchamento de Kate, independentemente se Maddie é encontrada ou não.
Serão os Portugueses uns eternos sofredores pela dor alheia ou inconscientemente traumatizados com sede de vingança?

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